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LIBRE – Carta aberta aos futuros Deputados, Senadores, Governadores. E ao futuro Presidente da República.

By Musa Editora on 20 de agosto de 2010

A Libre (Liga Brasileira de Editoras) divulga hoje, na Bienal do Livro 2010, uma carta aberta aos representantes públicos que serão eleitos ou reeleitos nas Eleições de 2010 a respeito das políticas relacionadas ao mercado editorial. A Musa Editora divulga o conteúdo da carta e convida a todos os preocupados com a posição secundária, via de regra, que o Livro tem ocupado na elaboração da política pública. Precisamos passar o Livro para o primeiro plano das preocupações, porque este alimenta todos os âmbitos da Cultura. Discutam, repercutam, cobrem.

Carta aberta aos futuros Deputados, Senadores, Governadores. E ao futuro Presidente da República.

Prezados Senhores:

Esta carta expressa a posição dos editores independentes brasileiros, organizados em torno da Liga Brasileira de Editoras.

“Dentro do catálogo das nossas editoras, temos alguns livros bastante conhecidos, os que normalmente são chamados pelos jornais de best-sellers. Não nos afirmamos, porém, por meio deles. Nossa contribuição está na diversidade, e é com a arma da Bibliodiversidade que enfrentamos as mais difíceis condições que o mercado nos impõe.

O mercado do livro passa no momento por uma profunda transformação, impulsionado pelo próprio movimento do capital, mas também pelas novas tecnologias, que ameaça essa Bibliodiversidade. Por isso, acreditamos que, num país cada vez mais educado e com novos potenciais de desenvolvimento, é nosso dever apontar caminhos a trilhar para a manutenção, a sobrevivência e, especialmente, a democratização do conhecimento e da arte que dependem dessa Bibliodiversidade.

A cadeia do livro é parte fundamental deste processo. E engloba não apenas os autores, os produtores (editores, tradutores, revisores, designers e ilustradores, entre tantas outras profissões), como também os distribuidores e livreiros.

É uma cadeia complexa e desigual, em que pequenos produtores competem inclusive com multinacionais ligadas a grandes grupos econômicos – que, pelo porte, estrutura e necessidade de altas margens de lucro, pressionam pela pasteurização da cultura.

Diante disso, a Libre defende que o futuro governo, a ser empossado em 1º de janeiro de 2011, deve atuar firmemente na direção de incentivar a Bibliodiversidade por meio da edição independente, o que se traduz em:

a) Uma nova regulação do mercado editorial e livreiro, com a adoção de medidas que protejam e incentivem a abertura, o fortalecimento e a profissionalização de pequenas editoras e, especialmente, pequenas livrarias pelo país.

b) Estabelecimento de cotas mínimas para pequenas e médias editoras em todas as compras governamentais de livros, que devem ser pautadas pela qualidade e avaliação justa das obras. A mais recente compra de livro do Programa Nacional Biblioteca na Escola ilustra como o governo tem dificuldades para comprar das editoras independentes. Num mercado com centenas, talvez milhares de empresas, oito grupos ficaram com 54% dos títulos selecionados, muitas vezes engordando suas cotas utilizando-se de empresas de fachada.

c) Fortalecimento da rede de bibliotecas públicas, que devem ter verbas suficientes para a manutenção de uma política de compra, atualização e manutenção de seus acervos, seguindo os critérios de cotas e respeitando as características culturais regionais. O governo também deve fazer cumprir as regras relativas à existência e manutenção de bibliotecas em escolas e faculdades particulares, que devem ser abertas também ao público em geral. Bibliotecas públicas e privadas são bens públicos.

d) Preço único do livro e desconto justo em todos os níveis da cadeia. A Libre defende a adoção da política de preço único e de desconto justo como garantia de sobrevivência das pequenas e médias livrarias, sem as quais se torna inviável a distribuição dos long-sellers, os livros de fundo de catálogo, os livros que não tem prazo de validade e que dão lastro a nossa cultura.

e) Políticas agressivas de marketing, não apenas das grandes redes de livraria, mas inclusive de outros setores da economia (como bandeiras de cartão de crédito), têm atuado fortemente no setor de livros estabelecendo uma concorrência desleal entre grandes e pequenos livreiros e entre grandes e pequenos editores, o que a médio prazo destrói a cadeia do livro e, portanto, a Bibliodiversidade. Para que fique bem claro: quando os pequenos editores têm de negociar com as grandes cadeias, os descontos finais ao consumidor se traduzem em preços não viáveis para as pequenas editoras e, também, para as pequenas livrarias. Por isso o preço único, neste setor da economia, em que a concorrência se dá entre produtos que são em essência diferentes entre si, tende a favorecer a redução do preço final do livro e a concorrência, e não o contrário.

f) Permitir o consumo de livros em livrarias com o Vale Cultura.

g) Nacionalizar a isenção de Imposto Predial Territorial Urbano para livrarias e editoras.

h) Dar garantias de que a nova Lei de Direitos Autorais, que precisa ser revista e está em debate conduzido pelo MinC, não implique a excessiva liberalidade do conceito “fins didáticos” para a autorização de uso de reproduções nas escolas e universidade. A nova lei deve, ao contrário, proteger os direitos de autores e editores contra a indústria da apostila, que banaliza o conhecimento e afasta os estudantes do livro e da leitura aprofundada e produtiva. A Libre acredita que tanto o MinC quanto o MEC devem lutar pela progressiva eliminação da apostila como instrumento de ensino, priorizando o livro sempre.

i) O governo deve tomar para si a responsabilidade de controlar a prática da reprografia que não paga direitos autorais a escritores e editoras, evitando, no entanto, a repetição do modelo Ecad. Esse controle passa pela ação direta sobre os “xérox”, sem a criminalização do estudante, mas, principalmente, pelo cumprimento das normas relativas à existência, manutenção e atualização das bibliotecas em escolas e universidades, públicas e particulares.

j) Estabelecimento de um limite para a atuação de empresas de capital estrangeiro no setor, como já ocorre com a imprensa.

k) Adoção de linhas de crédito especiais para pequenas e médias editoras e livrarias, que aceitem o acervo de livros como garantia. O crédito deve estar acessível para produção, equipamentos, projetos e capital de giro.

l) Adoção de tarifas especiais pelos Correios para o transporte de livros, visando a baratear a distribuição dos mesmos por todo o território nacional.

m) Criação urgente e imediata de uma Câmara do Livro Digital, com participação de todos os segmentos ligados à cadeia do livro, do governo e de representantes das universidades públicas, para a discussão e implementação de uma política unificada para o setor, de modo a garantir que as mudanças em curso não resultem na morte das pequenas e médias empresas do setor do livro, que, como já dissemos, são a garantia da Bibliodiversidade, nas mais diversas formas que o texto escrito pode assumir.

n) Uma nova Câmara do Livro Digital terá de enfrentar enormes desafios: o poder econômico dos produtores dos leitores digitais de livros (e-readers), a proteção dos direitos de autor, o controle da reprodução indiscriminada dos textos e edições, o papel das livrarias nesse “novo mundo”, entre tantos outros temas.

Confirmadas as tendências de crescimento econômico e do aumento da relevância política do país no cenário internacional, a produção da cadeia do livro deve ser tomada como uma prioridade de governo e Estado, pois seu papel será estruturante na consolidação dos grandes projetos nacionais.

A Libre se coloca à disposição para discutir e aprofundar estas questões, certa de que o país deve caminhar para a difusão e democratização do conhecimento, e não o fará sem o fortalecimento das editoras independentes nacionais.”

São Paulo, 19 de agosto de 2010.

Cristina Warth, Presidente da Liga Brasileira de Editoras
Eliana Sá, Vice-presidente da Liga Brasileira de Editoras

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Lançamento da Musa Editora na Bienal do Livro São Paulo 2010 – Sábado, 21 de agosto: eu e Marilyn Monroe & o Outro, de Carlos Domingos Mota Coelho

By Musa Editora on 13 de agosto de 2010

Convite do lançamento de eu e Marilyn Monroe & o Outro, de Carlos Domingos Mota Coelho, na Bienal do Livro de São Paulo 2010, no estande da Bibliodiversidade, L13.

Compareça! É no dia 21 de agosto, às 18h30.

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Lançamento da Musa Editora na Bienal do Livro São Paulo 2010 – Domingo, 15 de agosto: Aziza, de Ara Mitta

By Musa Editora on 12 de agosto de 2010

Clique aqui para conferir o convite para o lançamento de Aziza, de Ara Mitta, na Bienal do Livro de São Paulo, no dia 15 de agosto às 18 horas.

Aguardamos o leitor no Estande da Bibliodiversidade L13.

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Lançamento da Musa Editora na Bienal do Livro São Paulo 2010 – Sábado, 14 de agosto: Mentes Criativas, Projetos Inovadores, de Klaus de Geus

By Musa Editora on 9 de agosto de 2010

Convite do lançamento de Mentes Criativas, Projetos Inovadores, de Klaus de Geus, na Bienal do Livro de São Paulo. Aguardamos sua presença!

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O Fundo Pró-Leitura e o comércio distribuidor

By Musa Editora on 29 de junho de 2010

Reproduzimos aqui um texto de José Henrique Guimarães, diretor da Acaiaca Distribuidora de Livros, publicado anteriormente no blog do Galeno, pois acreditamos que pode contribuir para a discussão tendo em vista o aprimoramento do mercado editorial brasileiro.

O Fundo Pró-Leitura e o comércio distribuidor

Tenho para mim a convicção de que um dos principais instrumentos de facilitação do acesso ao livro no Brasil é o comércio no varejo e no atacado. Na hipótese de institucionalização do Fundo Pró-Leitura e a taxação única em cascata de 1 % sobre o faturamento das empresas, os distribuidores e livreiros serão duramente penalizados, pois operam com margens de lucro muito reduzidas – no caso das distribuidoras, por exemplo, próximas desse percentual. Com os dois principais elos da cadeia de suprimentos enfraquecidos pela taxação em cascata, o Fundo pode de forma contraditória tornar-se uma grave barreira a novos investimentos, ao menos do setor.

A cadeia produtiva do livro no Brasil passa por uma importante transformação iniciada pelo varejo, que se expandiu em redes, em novos formatos de loja, e para a Internet. Abriu-se para o mercado de capitais, provocando uma mudança também por parte das livrarias independentes que, pressionadas pela concorrência, passaram a oferecer melhores serviços como cafés e lojas climatizadas.

Paralelamente, houve a entrada progressiva de capital estrangeiro no negócio editorial, através de filiais de grandes grupos multinacionais, fusões, aquisições, e a modernização de diversas empresas, em sua maioria familiares, combinando a criatividade de seus empreendedores com melhores práticas administrativas, apesar da grande concentração de negócios nas mãos de poucos “players”, e as mazelas advindas disso. Tendência essa, aliás, que se nota nos outros elos da cadeia produtiva.

Por último, e não menos importante, ocorreu a expansão e o surgimento de novas distribuidoras nacionais, com agregados na prestação de serviços, suprindo uma lacuna importantíssima na cadeia de suprimentos, pois fazem o livro alcançar os mais distantes rincões.

Com a introdução das novas tecnologias de informação, estas empresas vêm promovendo o acesso das livrarias e bibliotecas a todo o acervo brasileiro e internacional de publicações, com estoques para pronta entrega e serviço de encomendas e logística de altíssimo padrão – modelo muito parecido com o que se pratica hoje na Europa e nos Estados Unidos.

Em contato recente com o presidente da ABA – American Bookseller Association – em evento promovido pela CBL, ele, livreiro em Montana, me disse que concentra 70 % de seus pedidos em um distribuidor, isto porque tem a garantia de cobertura de estoque e entrega rápida de tal forma que sua livraria possa oferecer aos seus clientes todo o vasto acervo americano e competir com bons serviços e outros agregados com as lojas de redes e “pontocons”.

O debate está começando, a questão é complexa, e, tratando agora somente de nosso setor – distribuidor de livros – que é minoria nos órgãos representativos de classe, e com certeza o mais penalizado com uma possível taxação única, creio que seja necessário um trabalho aprofundado de pesquisa, para que não sejam penalizados aqueles que devem ser os maiores beneficiários de nossos esforços: o LEITOR brasileiro de livros e os novos que virão!

José Henrique Guimarães é Diretor da Acaiaca Distribuidora de Livros e foi Presidente da Câmara Mineira do Livro.

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Bienal do Livro 2010 escolhe slogan: Musa Editora estará presente

By Musa Editora on 25 de junho de 2010

O novo slogan da 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo é: “Ponto de encontro da cultura e do lazer”. A frase, escolhida entre 2.702 concorrentes, foi a vencedora do concurso cultural promovido pela organização da feira para escolher o seu mote. O slogan já foi incorporado à comunicação do evento.

O autor do slogan da Bienal do Livro, Luiz Angelo Vilela Tannus, analista de sistemas de Uberlândia (MG), será premiado com um e-reader Gato Sabido, uma coleção de 40 livros de finalistas do Prêmio Jabuti 2010 e um par de ingressos para o Salão do Automóvel 2010. A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá durante a feira.

A Musa Editora estará presente na Bienal do Livro 2010, em conjunto com outras seis editoras pertencentes à Libre, unidas em nome da Bibliodiversidade: Editora de Cultura, Fundação Perseu Abramo, Livro Falante, Ibis Libris, Sá Editora e Publisher Brasil. Divulgaremos em breve novidades a respeito da participação da Musa Editora na Bienal do Livro de São Paulo.

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Relançamento e Degustação: Cultura, Formação e Desenvolvimento Profissional de Professores que Ensinam Matemática

By Musa Editora on 16 de junho de 2010

O livro Cultura, Formação e Desenvolvimento Profissional de Professores que Ensinam Matemática está sendo relançado neste mês pela Musa Editora. Os livros da Musa sobre ensino de matemática tornaram-se parte essencial da biblioteca de estudiosos do tema e professores em geral.

Para conhecer mais sobre o livro, seus capítulos e ler sua introdução, basta degustá-lo gratuitamente no link abaixo:

DEGUSTAÇÃO DE LIVROS: INTRODUÇÃO DE CULTURA… MATEMÁTICA

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Entrevista com Klaus de Geus: o que é P&D criativo?

By Musa Editora on 31 de maio de 2010

O ambiente empresarial brasileiro, apesar da recente expansão, é ainda um terreno tradicionalista (no mau sentido). A tendência à burocratização e à estagnação do pensamento reflete uma mentalidade funcionalista, que mata no berço as possibilidades de gestões criativas e modernizadas, o que sem dúvida compromete as chances das empresas nacionais em um mundo cada vez mais global.

Contra essa situação, o livro Mentes Criativas, Projetos Inovadores, recém-lançado pela Musa Editora, em coedição com a Universidade Tuiuti do Paraná, trata das grandes possibilidades de reverter esse quadro apostando na criatividade e na mudança da mentalidade industrial no ainda provinciano mercado nacional. Para tanto, o incentivo aos projetos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), ainda incipiente, é apresentado como o melhor e mais eficiente caminho para os desafios empresariais no século XXI, que cada vez mais demandam inovação e não respostas prontas sobre este ou aquele problema.

Para falar mais sobre o assunto, o site da Musa Editora convidou o autor do livro Mentes Criativas, Projetos Inovadores, Klaus de Geus, para uma entrevista que pretende apresentar as ideias e sugestões de Klaus a respeito do atual estado do investimento nacional em inovação e criatividade.

Klaus de Geus é diretor da Faculdade de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), gerente de programa de pesquisa e desenvolvimento na Companhia Paranaense de Energia (COPEL) e professor colaborador no Programa de Pós-Graduação em Métodos Numéricos no Centro de Estudos de Engenharia Civil (CESEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Klaus, primeiramente conte-nos um pouco sobre como se construiu sua visão sobre a criatividade no ramo empresarial.

Minha visão sobre a criatividade no ramo empresarial advém das encruzilhadas em que me encontrei em diversas épocas da minha vida profissional. Na época da minha graduação, vivia em constante luta, não sabendo se seguia meus interesses artísticos ou meus interesses “de profissão”. Sim, parecia que arte não era profissão. Isso aguçou em mim a percepção das diferenças entre a organização e a criatividade. Enquanto as questões ligadas à profissão pareciam exigir mais da organização, as questões relacionadas aos interesses artísticos definitivamente exigiam mais do poder da criatividade. Acabei me tornando um profissional com perfil mesclado. Isso se evidenciava como vantagem sob alguns aspectos, mas aparentemente as desvantagens pareciam ser maiores, porque, na vida profissional, é-se cobrado pelo “perfil profissional”, ou seja, técnico e organizado. A partir daí, tentei trilhar um caminho que resolvesse ou pelo menos amenizasse meu dilema.

Em países desenvolvidos, como Israel, Suécia e Finlândia, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é uma realidade, e todas as grandes empresas buscam investir na área. Por que a resistência brasileira em se juntar a esse time?

O principal motivo para a postura vigente no Brasil é a cultura de gestão de empresas, a qual se fundamenta nos princípios da revolução industrial. Nossas próprias leis incentivam essa postura. Para uma pessoa com perfil empreendedor, a CLT é o refúgio legal da mediocridade, o amparo sistemático da mesmice. Gestores focam organização e perpetuam essa situação, escolhendo sucessores com o mesmo perfil. Pessoas criativas são vistas como irresponsáveis e, às vezes, até mesmo como “esquisitas”. Não há lugar para pessoas criativas nas empresas geridas de acordo com a postura industrial. Parece que no Brasil a lógica é inversa: Os menos capacitados governam os mais capacitados.

Segundo dados do Department for Business Innovation & Skills (BIS), empresas como a Ericsson gastam quase um quarto (24,9%) de suas receitas com P&D. Os números no Brasil são sem dúvida muito menores. O que deve ser feito para, se não igualar, ao menos otimizar o investimento em inovação e criatividade nas empresas?

Investir em P&D significa abrir mão do lucro imediato para pensar na sustentabilidade, ou seja, no futuro do negócio e da empresa. Significa empreender tarefas criativas no intuito de alcançar diferencial competitivo, por meio do aumento do estoque de conhecimento necessário para evoluir no negócio. Empresas multinacionais estão presentes em um determinado país para concretizar lucro, e não para investir no conhecimento que lhes pode trazer diferencial. Esse investimento acontece normalmente no país de origem, quando acontece. Em empresas inseridas no contexto político, resultados visíveis devem ser mostrados num horizonte de quatro anos. Esses aspectos constituem uma forte barreira ao investimento em P&D. No Brasil, empreendedores criativos existem, mas têm que enfrentar um desafio muito grande para sobreviver no mercado. Todos sabem que é muito difícil criar uma empresa e conseguir fazê-la crescer no contexto brasileiro, devido a muitos aspectos, especialmente o da tributação e da burocracia. O país, não obstante sua retórica voltada ao incentivo à inovação, dedica esforços desencontrados no sentido de pavimentar seu caminho de crescimento e se consolidar como um país inovador. Os esforços são desconexos. Ao mesmo tempo em que uma entidade fomenta P&D e inovação sustentada, as leis e os mecanismos de fiscalização continuam em sua mentalidade industrial, baseada em números apenas. Nos últimos anos foram promulgadas leis que supostamente incentivam a inovação, tais como a lei de inovação e a lei do bem. Entretanto, mesmo após muita discussão enquanto as leis estavam “no forno”, seu formato final acabou se mostrando extremamente acanhado, provendo mecanismos interessantes, porém difíceis de implementar e limitados a diversos fatores, como forma de evitar ou minimizar as chances de corrupção. O que podemos concluir a respeito disso? Uma das conclusões que se mostram claras é que o país perde muito tempo lutando contra a cultura de levar vantagem, a corrupção, impondo limites e fiscalizações exacerbadas, as quais acabam por inviabilizar as iniciativas voltadas à inovação.

Em termos de gestão empresarial, a cultura ainda é um fator importante na postura do país. A criatividade e, consequentemente, a inovação dependem de pessoas. O modelo de gestão industrial pressupõe a aniquilação de fatores pessoais. A empresa funciona por processos e independem de quem ocupa um determinado lugar no contexto de um determinado processo. A criatividade está centrada em pessoas, que por sua vez podem criar um ambiente criativo. As pessoas criativas estão presentes nas empresas, porém não têm um lugar de destaque, pois a gestão industrial preconiza a organização e o controle. Para atingir um novo nível de inovação, é necessário repensar a gestão. Não basta ter pessoas criativas. A gestão e a direção têm que ser criativas.

Quais empresas você admira, dentro ou fora do Brasil, por seu incentivo à inovação?

No Brasil, a empresa que notoriamente tem produzido inovação é a Petrobras. Sem dúvida, ela constitui um ícone de crescimento e inovação no país. No pouco contato direto que tive com a Petrobras, pude perceber que existe a tendência de que a inovação ocorra em determinados contextos simplesmente porque há liberdade nos níveis hierarquicamente inferiores, ou seja, apesar dos gestores. A luta entre a mentalidade industrial da gestão e o empreendedorismo da classe criativa, que ainda está confinada à parte inferior da hierarquia organizacional, é acirrada.

Os exemplos que posso imaginar de forma geral em termos de empresas inovadoras são os mesmos que qualquer pessoa atenta a esse aspecto daria. A empresa Google, que está presente de forma quase que ubíqua na vida das pessoas atualmente, e a empresa Apple, que recentemente passou a Microsoft em valor de mercado, são ícones no ramo da tecnologia. A lista das empresas inovadoras não se restringe ao meio tecnológico, mas essas são as empresas as quais vejo como grandes inovadoras, Google e Apple. E por que elas são inovadoras? Porque seus líderes e criadores o são. Elas nasceram da criatividade.

Como se vê em seu livro desde a capa, o paralelo com as artes é algo importante em sua visão do mundo empresarial. De que maneira fazer um mundo tão técnico (de analistas, especialistas, gerentes…) interessar-se por outros ramos do conhecimento como as artes plásticas?

A questão não é fazer alguém técnico gostar de artes. A questão é estratégica e consiste em unir o mundo técnico ao mundo artístico e fazê-los se mesclarem. As pessoas certamente irão começar a olhar as coisas com outros olhos. Quanto mais a sociedade evoluir e o trabalho se tornar mais mental, mais criativo, e menos processual, menos linha de produção, mais o trabalho se parecerá com a arte. No futuro, aqueles que souberem mesclar trabalho e arte, ou seja, trabalhar como um artista, serão aqueles que alcançarão sucesso.

O exercício das artes, sejam artes plásticas, música, teatro ou qualquer outro tipo, tem o poder de abrir a mente do indivíduo para a criatividade, para a experimentação e, enfim, num último estágio, para a inovação. A experimentação é hoje algo temido pelas empresas, pois significa, de acordo com a mentalidade da gestão industrial, perda de tempo (“Não temos tempo para ficar experimentando coisas, para ficar brincando. Temos que produzir!”). Uma empresa inovadora tem por base um ambiente criativo, no qual conta com pessoas de diferentes perfis que se complementam. Ninguém está dizendo que processos não devem existir, nem que todas as pessoas têm que ser criativas. O que deve ser dito é que tem que haver espaço para as pessoas criativas para que a inovação aconteça.

Nesse sentido, quais artistas (dentre todas as artes) você mais admira?

É difícil listar artistas por ordem de importância, uma vez que as contribuições que cada um dá à sociedade se complementam. Mas não posso deixar de admirar aqueles que fazem escola pelo mundo afora. Na música, dentre os mais conhecidos, admiro Beethoven e Bach, além de outros mais específicos, tais como Chopin e Debussy. No Brasil, há um expoente que é pouco admirado em seu próprio país, mas muito valorizado fora, Heitor Villa Lobos. Seu trabalho junto ao folclore brasileiro é um trabalho sensacional. Em épocas modernas, Tom Jobim inventou muita coisa, usando acima de tudo criatividade aliada à qualidade musical.

Nas artes plásticas, aquele que notoriamente iniciou a evidenciação da junção da arte com a ciência foi Leonardo da Vinci. Como eu mesmo cito no capítulo 7 do livro, “Da Vinci não tinha formação especializada, nem se atinha à perfeição no que concerne à execução de suas obras, ou seja, “seu acabamento”. Ele se dedicava aos estudos, aos rabiscos, à inovação, à compreensão de fenômenos que queria representar”. A capa do livro, que tem por base a pintura de Johannes Vermeer “O Astrônomo”, reflete a conexão entre a ciência e a arte. “A Holanda do século XVII tinha um espírito de exploração baseado no interesse pelo mundo e pelo universo, pelo familiar e pelo exótico, tendo sido o palco do desenvolvimento do microscópio e do telescópio. A pintura de Vermeer celebra o astrônomo e o trabalho artístico, evidenciando o vínculo entre ciência e arte por meio de sua linguagem na pintura”. Maurits Cornelis Escher também é digno de menção nesse contexto devido ao seu trabalho artístico inspirado na matemática, representando situações e construções impossíveis, explorações do infinito e metamorfoses, em representações com características dinâmicas dignas de admiração.

É difícil falar algo sobre a literatura, mas gostaria de mencionar aqueles que sintetizavam grandes pensamentos usando pouquíssimas palavras, em aforismos que marcam a sociedade, tais como George Bernard Shaw e, no Brasil, Paulo Leminski. Novamente, não estou dizendo que esses são os melhores escritores do mundo, mas digo que eles marcam por suas características individuais e pela natureza de seu trabalho.

Na introdução, você diz que o livro se destina a diversos grupos, inclusive aos acadêmicos. Há uma grande polêmica, em especial em universidades públicas, a respeito da presença de empresas financiando pesquisas acadêmicas. Quais os motivos dessa resistência e como contorná-los?

Sinto-me confortável ao falar sobre isso, mesmo que minhas palavras soem como pesadas críticas, uma vez que estou inserido a esses dois mundos, a empresa e a universidade. Minha experiência em empresas públicas e privadas e em universidades públicas e privadas me mostra claramente que a universidade (principalmente a pública) está encalhada em seu puritanismo acadêmico, em sua arrogância de não se misturar com outros setores supostamente menos qualificados, e que a empresa está encalhada em seu pensamento de que seu trabalho é muito sério para se dar ao luxo de confiar nos devaneios acadêmicos, nas loucuras teóricas de cientistas. O Brasil apresenta uma característica peculiar no que tange à atuação de cientistas em relação a países conhecidos como desenvolvidos. A esmagadora maioria de seus doutores atua em universidades, ou seja, doutores não são absorvidos pelas empresas. O país se esforça para transpor o abismo que separa esses dois mundos. Recentes leis, já mencionadas nesta entrevista, fomentam a absorção de cientistas pelas indústrias. Porém, elas carecem de agilidade e flexibilidade. Apesar dos esforços, parece que o país ainda não sabe como aproximar a academia da indústria.

Algumas empresas já se acostumaram a fazer uso de mecanismos de fomento (renúncia fiscal, por exemplo) para financiar pesquisas acadêmicas e alcançar diferencial baseado no conhecimento. Entretanto, na grande maioria dos casos, financiamento de pesquisa se torna um instrumento inadequado, pois o conhecimento gerado não pode ser internalizado. A empresa possibilita o desenvolvimento de uma inovação na academia, porém não pode se apropriar do grande resultado do trabalho, a saber, o conhecimento gerado, pois esse fica com quem efetivamente realizou o trabalho. As empresas, para que realmente se sobressaiam, devem participar dos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento.

Por fim, gostaria que você falasse do eiranembeira, um dos resultados do que você chama de sua “veia artística”. O que o projeto significou na construção de seu livro?

O trabalho “eiranembeira” é anterior à ideia de escrita do livro, mas decididamente teve um papel preponderante na linha de pensamento que norteou seu desenvolvimento. A experiência me permitiu confirmar aquilo que a literatura científica tem dito sobre o perfil de pessoas criativas e de como a inovação fortemente baseada na criatividade se dá. Percebi que o mecanismo de criação e de desenvolvimento de um trabalho artístico é em essência o mesmo daquele usado para desenvolver um trabalho de cunho inovador. Quando comecei a escrever o livro, não sabia que iria citar o trabalho “eiranembeira”. Porém, a própria literatura que usei como fundamento para discorrer sobre o mecanismo de criação me fez ver que a citação não só era necessária, mas também concretizaria aquilo que havia sido exposto de forma teórica. A comparação feita no capítulo 7 entre a arte e o trabalho leva muito em consideração o fator pessoal. Como já disse anteriormente, quanto mais o trabalho for direcionado para as características mentais, mais semelhante com a prática artística ele se tornará.

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Relançamento e Degustação de Livros: É Possível Amar Duas Pessoas ao Mesmo Tempo? – Livro para o Dia dos Namorados

By Musa Editora on 24 de maio de 2010

O livro É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?, estudo realizado por pesquisadores da PUC-SP, investiga os caminhos e descaminhos dos relacionamentos amorosos. Trata do amor desde os gregos até nossos dias, e de seu impacto na cultura e nas sociedades. Afinal, é possível sentir amor por duas pessoas ao mesmo tempo? O que é a traição? Como essas questões foram e são vistas através dos tempos?

Degustação de livros: É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo?

Sucesso da Musa Editora, o livro é relançado para o mês dos namorados com nova capa lilás e adaptado ao Novo Acordo Ortográfico. Deguste o livro gratuitamente aqui, e se aventure nos percalços do estudo do amor.

Clique aqui para ler o primeiro capítulo de É possível amar duas pessoas ao mesmo tempo? gratuitamente.

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Degustação de Livros: Mentes Criativas, Projetos Inovadores – P&D e inovação

By Musa Editora on 20 de maio de 2010

O livro Mentes Criativas, Projetos Inovadores, de Klaus de Geus, que será lançado pela Musa Editora, em coedição com a Universidade Tuiuti do Paraná, no começo de junho, trata de como a criatividade precisa ser incentivada em ambientes de trabalho, possibilitando soluções inovadoras e adequadas aos objetivos das empresas no século 21. Klaus de Geus mostra os caminhos necessários para alcançar resultados significativos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e superar os limites do estabelecido pelos manuais.

Participe do projeto de degustação do livro, lendo gratuitamente uma parte do livro e comentando a visão do autor aqui, no site da Musa Editora.

Para ler o primeiro capítulo do livro, basta clicar no link acima e lê-lo em formato PDF. Boa leitura!

Posted in Degustação de Livros | Tagged Administração, Criatividade, Degustação, Inovação, P&D | 4 Responses

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